Novos atentados, os mesmos métodos

O modus operandi começa a ser familiar: uma carrinha ou camião atirada contra uma multidão, por um único condutor, provoca dezenas de mortos e feridos. Foi assim em Nice, Berlim, Westminster e agora em Barcelona e Cambrils.

Inexplicavelmente, as autoridades continuam a permitir que as pessoas que enchem ruas e praças continuem vulneráveis à mercê dos criminosos.

ATL Arco da Rua Augusta Exterior ab ALg 1c22cPor cá a segurança continua secundarizada. Prova deste facto, são as obras feitas recentemente e as que se vão fazendo nas nossas cidades e zonas de veraneio e que não contemplam questões básicas de segurança. Praça do Comércio, Restauradores ou Rossio, Ribeira das Naus ou rua Augusta são, em Lisboa, exemplo disso. Soluções que podem impedir atropelamentos são esquecidas. As barreiras de detenção de veículos (BDV’s) devem ser desde logo integradas na requalificação dos espaços para que sejam verdadeiramente eficazes e permitam a operação das forças e serviços de segurança e de emergência. Mobiliário urbano, bancos públicos, floreiras, aterros e desaterros em espaços ajardinados e desníveis acentuados entre zonas de circulação de veículos e zonas pedonais podem fazer toda a diferença. A reação improvisada da autarquia de Lisboa ao atentado de Barcelona, “depois de casa roubada, trancas à porta", através da colocação de floreiras e blocos de pedra, é de eficácia duvidosa pelo escasso peso e grande espaçamento entre aqueles elementos, face à utilização intencional de um veículo pesado ou de média dimensão.

Outro fenómeno é a utilização de armas brancas para provocar o maior número de baixas possível. Na abordagem a este tipo de intervenção, é importante a presença constante das forças de segurança em locais considerados de risco. Mas porque se trata de um recurso escasso, importa recorrer a medidas complementares e expeditas como a criação de um número de telefone dedicado ou a colocação naqueles locais de botões de pânico com ligação direta às forças policiais, ambos de utilização exclusiva para casos de criminalidade violenta e amplamente divulgados por todos, nacionais e estrangeiros.

Uma vez que a Segurança Privada é um sector com dezenas de milhares de elementos espalhados por todo o território nacional, será que não está na altura de se olhar para estes elementos de forma descomplexada e admitir que estes podem actuar com uma verdadeira complementaridade das forças de segurança, de forma a que possam ser utilizados na prevenção destes actos covardes e hediondos?

Sendo que o politicamente correto é dizer-se que estamos muito seguros, esperemos que Portugal continue fora do mapa do terror pois, caso se lembrem de nós, talvez descubramos que existem mais “SIRESPes” e que afinal estávamos muito vulneráveis..

P.S. Logo após os atentados, contactei o presidente da nossa congénere espanhola a quem manifestei a nossa preocupação e solidariedade pelas vítimas do atentado de Barcelona tendo ficado a saber que, felizmente, nenhum membro da ADSI nem seus familiares foram vítimas do terror que teve lugar naquela cidade onde a ADSI tem a sua sede.

Ludovico Jara Franco
Presidente da ADSP

Imagem principal/Barcelona: Créditos ANSA

Marcações: Atentado em Barcelona, Ramblas Barcelona, Ataques Terroristas

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